Gematria

 

 

 

 

Gematria

 

 

Adalberto Nascimento

 

A gematria consiste em uma técnica – na minha opinião uma pseudociência –  para explicar uma palavra ou um conjunto de palavras, conferindo um valor numérico a cada letra.

 

Consta que o rei babilônico Sargão II, no século VIII a.C., foi o primeiro a fazer uso da gematria na construção do muro de Khorsabad. O muro tinha exatamente 16.283 cúbitos de comprimento, por esse número ter sido, de alguma forma, associado ao seu nome (o cúbito ou côvado era uma medida equivalente a aproximadamente 50 centímetros).

 

Antigamente essa prática foi intensamente utilizada e de tal forma que, em várias línguas, “contarnúmeros e “contarhistórias têm a mesma raiz etimológica. Em hebraico, por exemplo, saphor significa contar (calcular) e saper contar história.  Em português e espanhol usa-se contar para ambos os sentidos. Em italiano os verbos que significam contar para calcular e contar histórias têm a mesma raiz: contare e raccontare, como acontece no alemão. Em alemão temos as palavras zählen para contar números e erzählen para contar histórias.

 

Através da gematria, poetas gregos da Antigüidade compunham dísticos (grupo de dois versos) de modo que a soma dos valores das letras do primeiro fosse igual à do segundo. No século XV, outra espécie de gematria foi também praticada por árabes, sobretudo em epitáfios nas lápides de soberanos, através de frases que embutiam, por exemplo, a data de falecimento dos ditos cujos.

 

Esses procedimentos constituíram a base da filosofia especulativa a respeito de números que redundou na “numerologia”, ainda hoje com muitos adeptos e até muito respeitada por pessoas supersticiosas.

 

Existem diversas formas de associação do alfabeto com números. A mais utilizada atualmente entre nós é esquematizada abaixo:

 

1

2

3

4

5

6

7

8

9

A

B

C

D

E

F

G

H

I

J

K

L

M

N

O

P

Q

R

S

T

U

V

W

X

Y

Z

 

 

Dessa forma, alguém chamado Robinho terá o nome associado ao seguinte número:

9 + 6 + 2 + 9 + 5 + 8 + 6 = 45 (os mais afoitos julgarão que isso significa bom de bola porque 45 é, em minutos, o meio-tempo de uma partida de futebol).

 

Em rigor, usa-se a “redução” do resultado inicial, somando-se os dígitos até se obter um único dígito.

 

Portanto, no caso do Robinho:

 

4 + 5 = 9 (sendo, então, o 9 também associado ao nome do referido craque – “um centro-avante nato”).

 

E, analogamente para outros nomes, teremos dos numerológos as mais variadas interpretações e especulações transcendentais ou mágicas, tal qual nos horóscopos.

 

Eu, por ser de gêmeos, não acredito em nada disso.