E não é que temos um trecho viário em Sorocaba com sentidos de direção do tipo mão inglesa

 

 

Manias matemáticas

 

Adalberto Nascimento

 

Tenho uma mania esquisita, entre outras tantas das quais nem me dou conta. Fora os vícios, quem não as tem?

Quanto a mim, não posso ver números que fico criando associações entre eles ou uma forma de correlacioná-los. Basta ver a chapa de um carro e fico divagando, tentando verificar se com os ímpares, pares e primos consigo uma fórmula que os relacione. E quando, num curto prazo de tempo, não consigo nada, não desisto – faço o “noves fora” do dito cujo número da chapa.

E, por incrível que pareça, guardo números de telefones, por exemplo, criando alguma regrinha. Exemplo: 325712 - para mim: 3 + 2 = 5; 5 + 7 = 12. E pronto: está registrado. Isso vale para senhas, carteira de identidade, título de eleitor e outras tantas coisas do gênero que nos perseguem e que são quase motivo de suicídio quando perdemos algum desses algozes.

Muitas vezes, fico exultante quando dou de cara com números palíndromos ou capicuas – aqueles que são os mesmos quando lidos nos dois sentidos, da esquerda para a direita e vice-versa. Exemplo: 3443. A propósito, números desse tipo com número par de dígitos são sempre divisíveis por 11.

E, por falar em 11, volta e meia quando olho para o relógio do computador e ele marca 11:11. Em rigor não é volta e meia. É quando realmente é 11:11.

Um amigo ficou intrigado porque com ele isso acontece na configuração 22:22. Pensou em até se benzer por isso!

A explicação que tenho é de que se trata de uma dada configuração numérica que, por alguma razão inconsciente, é marcante para os olhos de cada um. isso.

fiz algumas apostas usando os uns do meu computador, somando-os, multiplicando-os (11x11) e com outras expressões. Nada aconteceu. “Nadica de nada”, como dizemos em Sorocaba.

Recentemente, além dos números, passei a observar formas geométricas. Tirante as curvas, verifiquei que somos cercados por retângulos.

Você se deu conta disso? Camas, mesas, livros, talões, cartões, bandeiras, boletos, dinheiro, etc. retângulos...

Embora o quadrado seja um caso particular de retângulo, essa figura não é tão recorrente em nossas vidas. Virou até termo pejorativo – “fulano é um quadrado”. Menos recorrente ainda é o círculo, com toda sua perfeição mística. retângulo. Até o fimcaixão e sepultura.

E nós, brasileiros, que curtimos o futebolcampo, pequena área, grande área, trave: retângulos. É bem verdade que temos o círculo central. E a bola... Detalhes, no meio de tantas bandeiras e cartazes de propaganda... retangulares.

Talvez por isso os brasileiros nem dêem bola para a meia-lua que “enfeita” a grande área. Pergunte aos muitos esportistas e até aos praticantes para que serve aquela tal de meia-lua. Seguramente um porcentual próximo de 90% dos entrevistados não saberá dizer. Pode testar, no país pentacampeão do esporte bretão.

Isso talvez também deva ser creditado à nossamania” de não ler bulas ou manuais de instruções. “Vamos que vamos”, na práticasem teoria –, mesmo que levando choques ou derretendo equipamentos. Ah, esses badulaques chineses...

         Afinal, o leitor, no meio de tantos retângulos, sabe para que serve a meia-lua da grande área?

Aposto que não.