E não é que temos um trecho viário em Sorocaba com sentidos de direção do tipo mão inglesa

 

 

 

Mão inglesa

 

Adalberto Nascimento

 

A forma de circulação de veículos na Inglaterra parece ser mais uma excentricidade de um povo considerado por muita gente como esnobe e arrogantemente aristocrático.

 

Mas esse jeito esquisito de circular existe ainda em outros países, como a Índia, a África do Sul, a Austrália, a Nova Zelândia e o Japão.

 

A mão inglesa, que deixa atônitos os turistas brasileiros quando aportam na terra do Big Ben, tem várias explicações e versões, a maioria fruto de especulações fantasiosas.

 

A explicação mais comum é que, nos idos tempos do uso da espada, as pessoas, destras em sua maioria, caminhavam “em mão inglesa” por ser a melhor forma de se defender de possível agressor em sentido oposto

 

Pelo atávico conservadorismo britânico, esse modo de circulação foi mantido e sacramentado em lei de 1835. Como vantagem adicional, a mão inglesa minimizava o risco de transeuntes nas calçadas levarem chicotadas dos cavaleiros, inicialmente destinadas, é claro, aos cavalos.

 

Por outro lado, consta que a adoção do sistema que utilizamos se deve ao fato de Napoleão ter sido canhoto e de sua indisfarçável aversão aos britânicos. Posteriormente, cada um desses sistemas de circulação foi adotado ou imposto aos respectivos países colonizados por britânicos ou franceses.

 

O sistema adotado pelos franceses foi sugerido aos americanos pelo General Lafayette e incorporado na época da ajuda francesa para a independência dos Estados Unidos.

 

Alguns países europeus também adotaram a mão inglesa, mas aos poucos todos aderiram ao sistema que hoje a maioria dos países utiliza. Alguns mudaram na marra, como a Áustria e a antiga Tchecoslováquia, obrigados pelos alemães na Segunda Guerra; outros, por razões práticas, como a Suécia, último país europeu a fazê-lo, para melhor adequação da sua indústria ao crescente mercado importador de veículos produzidos naquele país.

 

E não é quealgum tempo adotamos em Sorocaba a mão inglesa e pouca gente se dá conta disso?

 

Intrigado?  Então vejamos onde isso ocorre. Na Praça Santa Cruz, na realidade Praça Santa Cruz da Composição, há um pequeno trecho de retorno, para quem sobe a Rua Coronel Nogueira Martins, que com a continuidade da Rua Salvador Correa conforma, no extremo norte da praça, um pequeno trecho em mão inglesa. Contravenção ao nosso código de trânsito? Não. Solução de bom senso à forma anterior de circulação que lá já existiu. É claro que isso tudo é um exagero de nossa parte. Mas o leitor poderá se sentir um pouquinho em Londres dando uma passadinha por lá.