A maioria dos estudantes de ciências exatas sabe da importância do Cálculo Diferencial e Integral

 

 

 

Newton versus Leibniz

 

Adalberto Nascimento


 

 

A maioria dos estudantes de ciências exatas sabe da importância do Cálculo Diferencial e Integral. E boa parte dos meus amigos engenheiros lembra às vezes com horror desse assunto, que foi fundamental para o progresso da humanidade.

 

O que pouca gente sabe é da briga pela prioridade dessa invenção. Recentemente, historiadores imparciais começaram a considerar Newton e Leibniz como co-inventores. O mais justo seria considerar que, de forma independente, ambos deram seqüência aos trabalhos de outros gênios matemáticos que os precederam, destacando-se, entre tantos, Fermat, Descartes e Wallis. Em rigor, poderemos dizer que tudo começou mesmo com Arquimedes.

 

Mas vamos sintetizar um pouco da história da briga daqueles dois gênios co-autores.

 

Isaac Newton, inglês, nasceu no Natal de 1642, ano em que faleceu Galileu. Gottfried Wilhelm von Leibniz, alemão, nasceu no dia 1º de julho de 1646.

 

Newton fez descobertas fundamentais em óptica, matemática, gravitação, mecânica e dinâmica celeste. Era um cientista.

 

Leibniz tinha interesse por história, economia, teologia, lingüística, biologia, geologia, direito, diplomacia, política, matemática, filosofia e metafísica. Era um filósofo. Alguns autores consideram-no como o último gênio universal.

 

Sucede que ele, em 1684, publicou o seu trabalho sobre Cálculo antes de Newton. Este havia desenvolvido anteriormente trabalho análogo e que não publicou, possivelmente por receio de críticas, principalmente das advindas do cientista britânico Robert Hooke, com quem não tinha muita afinidade e que era, na ocasião, o presidente da Royal Society.

 

Com a morte de Hooke, Newton tornou-se uma espécie de presidente vitalício da Royal Society, da qual Leibniz também era membro.

 

Quando Newton mudou a sede da sociedade para um novo local, o quadro pintado de Hooke, existente no edifício anterior, desapareceu, e até hoje ninguém sabe como era a cara desse ilustre cientista.

 

Newton usou um aliado escocês, John Kell, para provocar Leibniz como plagiador. Leibniz, irado, enviou ofícios violentos à Royal Society para provar que ele, sim, inventara o Cálculo Diferencial e Integral (até hoje são usadas as notações de Leibniz – por exemplo, o famoso dy/dx). Diante daquela querela entre titãs e como sói acontecer, criou-se um comitê para investigar a questão. Esse comitê foi formado em quase sua totalidade por membros pró Newton. Em tempo recorde ficou pronto um relatório conferindo a Newton a prioridade da invenção. Mais tarde foi descoberto um rascunho desse relatório manuscrito por Newton!

 

Newton recebeu o título de Sir, faleceu em 31 de março de 1727 e foi sepultado na Abadia de Westminster, em Londres, entre os reis do Império Britânico. Foi evidentemente um gênio, a despeito de seus desvios de caráter.

 

Todavia, a filosofia de Leibniz contribuiu para o que hoje chamamos de física moderna. Ele trabalhou com lógica simbólica, aperfeiçoou uma primitiva máquina de calcular e foi precursor da aritmética binária, base dos atuais computadores.

 

Leibniz morreu em Hanover no dia 14 de novembro de 1716.

 

Disso tudo, cabe-nos analisar mais detalhadamente a influência cultural a que nós, brasileiros, somos submetidos.