A Pedra de Rosetta

 

 

A Pedra de Roseta

 

 

A famosa pedra de Roseta leva esse nome porque foi encontrada perto de um forte egípcio chamado Rachid (Rosette para os soldados franceses), embora muita gente pense que “roseta” seja a designação de uma espécie de pedra. Essa pedra, de basalto negro com cerca de ¾ de tonelada, pode ser admirada no Museu Britânico. É que ingleses e franceses fizeram uma partição no saque ao Egito, depois da capitulação francesa em 1802. Aos ingleses ficou assegurado o direito de saquear Alexandria, e aos franceses a cidade do Cairo. E a pedra, que por segurança havia sido levada pelos franceses para Alexandria, acabou ficando com os britânicos até hoje.

 

Essa pedra, encontrada em 1799, serviu como ponto de partida para a decifração dos hieróglifos por conter um texto burocrático em três escritas: hieróglifos, demótico e grego. O problema era que o texto em hieróglifos era o mais danificado, dificultando os estudos lingüísticos.

 

Os hieróglifos eram uma escrita sagrada (a palavra grega hieroglyfhica significa entalhes sagrados). Com o tempo essa escrita teve uma simplificação para o hierático e posteriormente para o demótico. Na prática era como se fosse uma mesma escrita com tipos diferentes, desde o mais rebuscado ao mais simples (demótico deriva da palavra grega demotika - popular). A grande dificuldade residia no fato de que os hieróglifos sugeriam uma escrita na qual os caracteres representavam idéias inteiras, como uma primitiva escrita pictórica. E, com base nisso, foram feitas inúmeras versões falsas e fantasiosas de textos em hieróglifos.

 

Coube a um inglês, em 1814, dar início à decifração dos hieróglifos: Thomas Young, um polímata (conhecedor de muitas ciências) que com 14 anos já sabia latim, grego, francês, italiano, hebraico, caldeu, siríaco, samaritano, árabe, persa, turco e etíope.  Sua grande “sacada” foi concentrar-se nas cártulas – conjuntos de hieróglifos circundados por uma linha, uma espécie de elipse. E a partir disso, julgando que as cártulas continham algo importante, deduziu parte dos fonemas, comparando-os com o grego. Isso mesmo: aqueles símbolos formavam fonemas de forma similar aos que temos em português. Sucede que os escribas, para melhorar a estética, colocavam alguns símbolos fora de lugar, o que dificultava ainda mais os trabalhos dos lingüistas. Outras vezes as alterações eram propositais, para criar uma espécie de criptografia com hieróglifos!

 

No entanto, para a maioria das pessoas, foi o francês Champollion que, tendo acompanhado Napoleão ao Egito (o que não ocorreu), achou a pedra de Roseta e, olhando-a atentamente, num toque de gênio, decifrou os hieróglifos para gáudio da humanidade!

 

Champollion realmente foi uma pessoa genial. Ele ficou fascinado ao ver uma coleção de antiguidades egípcias do famoso matemático Fourier. Quem é matemático já desenvolveu algumas das famosas “séries de Fourier”, sem saber que ele, sim, fez parte da comitiva de cientistas levada por Napoleão ao Egito.

 

O fato é que Champollion jurou decifrar os hieróglifos. Capacidade não lhe faltava – ele sabia latim, grego, hebraico, etíope, sânscrito, pahlevi, árabe, sírio, caldeu, persa, chinês e copta.

 

Vários outros monumentos saqueados no Egito por europeus e o conhecimento que Champollion tinha da língua copta (antiga língua egípcia deixada de ser usada no século XI por pressão da Igreja Católica) permitiram que, em 1824, ele contribuísse decisivamente para que outros estudiosos completassem a decifração final dos hieróglifos.

 

Todavia, Jean-François Champollion tinha alguma doença séria que o fazia desmaiar freqüentemente. Os desmaios mais famosos ocorreram quando foi admitido para a Academia em Grenoble com apenas 17 anos, quando um amigo brincou que haviam publicado uma decifracão dos hieróglifos, e quando decifrou a palavra Ramsés, através do copta.

 

Champollion morreu no dia 4 de março de 1832, com 41 anos.